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A história do vinho começou ao mesmo tempo que a do homem civilizado
que, por sua vez, iniciou-se com a agricultura, quando os primeiros
nômades fixaram moradia para esperar as colheitas. As videiras,
então , passaram a ser cultivadas.
Como tantas outras descobertas humanas, o vinho, provavelmente, foi
fruto do acaso. O esquecimento de algumas uvas em um recipiente,
resultando numa fermentação natural, foi o pontapé inicial da tão
famosa bebida. O doce líquido das uvas se transformou no álcool
vínico e os homens, mesmo sem entender como o líquido mudou de
características, começaram a bebê-lo.
É impossível precisar local e data de origem do vinho, mas o mais
provável é que tenha aparecido na região do Cáucaso, onde hoje temos
a Armênia. Há diversas lenda cercando a história. Uma das mais
antigas está no Velho Testamento e conta que, depois de desembarcar
os animais, Noé plantou uvas e descobriu o vinho. Tanto que, no
Pentateuco, há uma passagem sobre Noé aparecendo nu em sua tenda,
numa alusão à bebedeira. Lenda ou não, isso reforça a hipótese que o
vinho teria surgido no Cáucaso, pois a arca parou nas montanhas dos
Ararat, um local entre a Turquia e a Armênia atuais.
Outra lenda bastante citada é a Persa, que fala sobre o reino de
Jamshid, um rei semi-mitológico. Neste reino, as uvas eram
armazenadas em jarros para serem saboreadas em outras estações, e de
certa vez, o conteúdo em um dos jarros começou a espumar e a exalar
um cheiro desconhecido. O recipiente foi deixado de lado, pois
acreditava-se que o líquido era um veneno. Foi então que uma jovem
do harém tentou se suicidar, ingerindo o tal ‘veneno’. No entanto,
ao invés de encontrar a morte, ela sentiu-se alegre e sonolenta. O
rei soube do acontecido e pediu para que fosse feita uma quantidade
maior de vinho, para que toda a corte pudesse desfrutar desta
maravilhosa bebida.
Da região do Cáucaso, o vinho disseminou-se pela Mesopotâmia, Síria,
Palestina e Egito. A partir das ilhas de Creta, o líquido chegou à
Europa pela Grécia, onde se desenvolveu e foi consumido largamente.
Os gregos difundiram este traço da sua cultura por todo o
mediterrâneo e, depois, pela Itália e França.
Os romanos, com seu poderoso exército, trataram de disseminar a
bebida pelo resto da Europa. E daí através das expedições
colonizadoras e da ação dos jesuítas, as vinhas espalharam-se por
todo o mundo, principalmente nos Estados Unidos, Argentina, Chile,
Brasil e África do Sul.
Nas Américas, tudo começou com Cristóvão Colombo em sua segunda
viagem às em 1493. Então, a culturas das uvas chegou ao México, sul
dos EUA e às colônias espanholas da América do Sul.
No Brasil, as primeiras videiras vieram da Ilha da Madeira em 1532,
trazidas por Martim Afonso de Souza. Até cerca de 1650, a produção
de vinhos no Brasil era inexpressiva, pois durante o Brasil Colônia,
Portugal vetou a fabricação da bebida para manter a dependência
econômica, garantindo mercado para o vinho português. Com as
primeiras missões jesuítas no sul do país, começou o cultivo de uvas
viníferas no Rio Grande do Sul. A difícil adaptação das plantas fez
com que essa produção fosse pequena e, geralmente, dirigida ao
consumo doméstico.
Esse quadro mudaria no século XIX com a chegada dos imigrantes
italianos na Serra Gaúcha e a fundação de Porto Alegre (RS). Aos
poucos, começa o cultivo da uva e a produção e comércio de vinho.
Essa situação foi mudando e a produção e o consumo de vinho
aumentando. Mas, as primeiras grandes vinícolas apareceram só no
começo do século XX quando a Serra Gaúcha firmou-se como importante
região produtora de vinho brasileira, junto com outras regiões
vinícolas como Minas Gerais (Andradas), Santa Catarina (Urussanga e
Alto Vale do Rio do Peixe), Paraná (Curitiba), São Paulo (São
Roque), Bahia (Casa Nova) e Pernanbuco (Floresta).
Com o desenvolvimento tecnológico do século XX, a produção de vinhos
sofreu mudanças e melhorias, devido ao cruzamento genético de
diferentes cepas de uvas, a colheita mecanizada, entre outros.
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